Mulher morre ao tentar mudar o mundo no grito

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Pawel Czerwinski
Pawel Czerwinski
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Uma mulher que conheci morreu por não conseguir controlar os nervos. Na noite mórbida, discutiu até perder o fôlego, gravou a briga com o celular, foi para o hospital em uma ambulância, e o coração parou. O nome dela virou uma lápide. Por uma vida, não pôde se curar da neurose.

Sinto uma pena triste quando lembro dela, e do papel que ocupa nesta história. Ser lembrada, imaginem, pelo grau mortífero de obstinação, por levar às últimas consequências a pertinácia de conformar o mundo fora dela ao mundo dentro dela. Fracassou miseravelmente.

A política me faz lembrar desse comportamento, em um bom sentido e em um mau. Bom quando se quer que padrões individuais melhores sejam expandidos para nossas famílias, e comunidades. Muito mau quando o mundo da gente é uma porcaria e o queremos validar a qualquer preço.

As eleições não vão nos trazer a paz que buscamos tão incansavelmente (ainda que aparentemente ajamos em sentido contrário a maior parte do tempo). Lula e Bolsonaro são, digamos, porta-vozes de mensagens que seguramos para ter o que dizer, defender, indignar. E depois?

Nosso vórtice político precisaria deixar de ser um vórtice, para se tornar um ar fresco que nos alivia a vida em comunidade. A vida cultural, na qual está a política, existe para nos protegermos das forças da natureza, e para constranger os preguiçosos.

Quanto a nós que trabalhamos, haveria pouco que nos interessasse na vida dos outros que não a escolha de personagens psíquicas, matrimoniais, ou variações. Porém, fazemo-nos reféns de nossas violências, e não temos solução para o fenômeno. Somos iguais a um Deus controverso.

Esse pequeno animal que vive dentro de cada um de nós, essa memória primitiva quer morder, estraçalhar, matar, quer discutir até morrer do coração. Nossa paz não pode depender de política, tampouco de medicina, ou de filosofia. A paz, eu acho, é muito parecida com a.

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