Lab Educação 2050

Jornada do aluno · Análise Transacional

Quem está falando em você?

Os estados do ego explicados de duas maneiras: primeiro como Eric Berne os formulou, depois como os usamos aqui, no dia a dia da prática.

Leitura interativa, de cerca de 15 minutos. Toque nos círculos, mova as barras e responda ao treino.

PAC

Os círculos saudáveis apenas se tocam.

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Primeira parte

Como Berne explicou

Eric Berne apresentou os estados do ego em 1957, num artigo sobre o uso clínico do conceito, e os sistematizou em 1961, em Transactional Analysis in Psychotherapy. Cada pessoa carrega três sistemas coerentes de pensamento, sentimento e comportamento, que ele chamou de Estados do Eu (ou do Ego): Pai, Adulto e Criança (Berne, 1957, 1961). Eles são a base de toda a Análise Transacional, e esta é a versão clássica.

Três círculos, três realidades psicológicas

Uma regra de grafia

Com maiúscula, Pai, Adulto e Criança são estados do ego. Com minúscula, pai, adulto e criança são pessoas reais. Sua mãe, uma pessoa, pode falar a partir de qualquer um dos três estados.

Fatias de tempo psíquico

Os estados não são papéis que se vestem: são realidades vividas. Berne insistiu que Pai, Adulto e Criança são fenômenos observáveis, e não construtos teóricos, e Clarkson e Gilbert (1988) sustentam essa leitura: cada estado é uma experiência existencial completa, disponível a vida toda, inclusive para ser revivida com as emoções de então.

Dentro e fora: estrutural e funcional

Análise estrutural · o interior

Mostra de onde cada estado vem. Qual é o contexto do comportamento? Que experiências passadas e percepções estão por trás das ações? É o mapa dos três círculos.

Análise funcional · o exterior

Observa como o estado se manifesta agora. Qual estado dirige sentimentos, pensamentos e ações no aqui e agora, e o que dá para ver de fora? É o mapa que mais usamos no dia a dia.

Os aspectos descritivos: o diagrama de Berne

Na análise funcional, Berne (1961) descreve cada estado por seus aspectos descritivos. Este é o diagrama dele: o Pai se divide em Natural e Crítico, e a Criança em Natural, Adaptada e Rebelde. Toque em cada parte para ver o que ela descreve e como ela aparece nos nomes que usamos neste site.

Como saber quem está falando? Os diagnósticos

Para Berne (1961), o diagnóstico de um estado do ego começa por uma hipótese, a partir da observação do próprio comportamento, e é verificado por quatro métodos. Tony White (2011) propôs um quinto, o contextual.

A energia dos estados: catexia

Catexia ligada

A energia potencial guardada em um estado, ainda sem ação.

Catexia livre

A ativação voluntária: a pessoa escolhe colocar um estado em cena.

Catexia desatada

A liberação involuntária, provocada por um estímulo externo ou por um diálogo interno.

O estado em que a soma de catexia livre e desatada é maior exerce o poder executivo: é quem comanda o comportamento naquele momento (Berne, 1961). Esse é o ponto de partida para entender a contaminação, que você verá na segunda parte.

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Segunda parte

A versão que usamos aqui

No AT 101 e nas ferramentas do Lab usamos o modelo funcional. Ele divide o Pai e a Criança em partes que dá para observar de fora, e por isso serve ao reconhecimento, ao egograma e às conversas do dia a dia. A divisão do Pai em Crítico e Protetor e da Criança em Livre e Adaptada remonta a Berne (1961, 1964) e foi consolidada por Dusay (1972) e Stewart e Joines (1987). No Brasil, Rosa Krausz apresenta os sete estados funcionais em Trabalhabilidade (1999), aplicados ao mundo do trabalho, e é essa a versão que a apostila do AT 101 (Instituto MIR, 2025) adota.

O mapa funcional: sete estados

Toque em um círculo para abri-lo e depois em uma das partes.

Neste siteNa formulação clássica de Berne
Pai Crítico (PC)Pai Crítico, Controlador ou Estruturante
Pai Protetor (PP)Pai Natural ou Nutridor
Adulto (A)Adulto
Criança Livre (CL)Criança Natural
Pequeno Professor (PProf)Pequeno Professor, o Adulto dentro da Criança
Criança Adaptada Submissa (CAS) e Rebelde (CAR)Criança Adaptada e a sua variação, a Criança Rebelde

O egograma e a hipótese da constância

Criado por John Dusay (1972), o egograma mostra quanto de energia uma pessoa investe em cada estado funcional. Pela hipótese da constância, (P + A + C) · mm = K: a soma é fixa, então, quando um estado cresce, outro diminui. Mova uma barra e veja os outros se ajustarem.

Quando o mapa trava: exclusão e contaminação

Em um funcionamento saudável os três círculos se tocam, sem se invadir. Berne (1961) descreveu dois problemas de fronteira: a exclusão, quando um estado fica fora de uso, e a contaminação, quando o Pai ou a Criança invadem o Adulto. Veja cada caso no diagrama.

Treine o olhar

Quem está falando em cada frase? Lembre-se: a mesma frase pode vir de estados diferentes, conforme o tom, o gesto e o contexto. Aqui, imagine o tom mais natural.

Agora, na prática

Leve o mapa para a vida.

Fontes

Berne, E. (1957). Ego states in psychotherapy. American Journal of Psychotherapy, 11(2), 293–309. · Berne, E. (1961). Transactional analysis in psychotherapy: A systematic individual and social psychiatry. Grove Press. · Berne, E. (1964). Games people play: The psychology of human relationships. Grove Press. · Berne, E. (1972). What do you say after you say hello? The psychology of human destiny. Grove Press. · Clarkson, P., & Gilbert, M. (1988). Berne’s original model of ego states: Some theoretical considerations. Transactional Analysis Journal, 18(1), 20–29. · Dusay, J. M. (1972). Egograms and the “constancy hypothesis”. Transactional Analysis Journal, 2(3), 37–41. · Instituto MIR. (2025). Apostila AT 101 (versão 7). · Krausz, R. R. (1999). Trabalhabilidade. Nobel. · Stewart, I., & Joines, V. (1987). TA today: A new introduction to transactional analysis. Lifespace. · White, T. (2011, 25 de julho). The contextual diagnosis of ego states. Graffiti.