Lab Educação 2050

Home office e espaço íntimo: por que limites protegem a casa e o trabalho

Ajustar e dialogar sobre limites é vital para manter a saúde do ambiente de home office.

O trabalho em casa, ou home office, fortaleceu-se a partir da pandemia de Covid-19 e, desde então, a mudança é assunto de diversas discussões. Há os que defendem e há os que não gostam. Penso que há benefícios indiscutíveis: ganhamos tempo de vida, não precisamos nos deslocar e, com isso, podemos realizar diversas atividades que possivelmente seriam retiradas da nossa rotina.

Na outra ponta, precisamos refletir sobre um aspecto importante. Nossa casa costuma ser o local de descanso, de reposição de energia e de prazeres, o nosso espaço seguro, protegido e de intimidade. Nela entram apenas pessoas em quem confiamos e que queremos por perto, escolhidas e convidadas por nós. Mas esse espaço, até então seguro, virou o ambiente de trabalho, no qual, por vezes, entram pessoas em quem não confiamos ou que sequer conhecemos.

Você já se sentiu invadido, física ou emocionalmente, durante o trabalho em casa? Quando nosso espaço íntimo é invadido, o desconforto se estabelece rapidamente.

Se não sabemos dar nome a esse desconforto, se não conhecemos a razão de senti-lo, possivelmente também não sabemos o que fazer nem que decisões tomar para lidar com ele.

Esse desconforto também pode nos levar a estabelecer relações não saudáveis, a nos envolver em conflitos e a ter a sensação constante de que algo nunca está bom o suficiente. Existem outras maneiras de isso acontecer. Quando os outros tomam decisões por nós, por exemplo. Ou quando as pessoas dão palpite sem serem convidadas ou autorizadas, ou quando o outro impõe uma maneira como devemos nos comportar ou reagir em determinado momento.

Se não fazemos a nossa parte, pode ser que o outro a faça por nós. E, quando falamos de relacionamento, somos 100% responsáveis pelos nossos 50%. Isso quer dizer que precisamos cuidar para não invadir o espaço do outro e também para não permitir que o outro invada o nosso. Se o outro invade o nosso território, pode ser que não estejamos colocando os limites de maneira clara.

É sobre esses limites que convido você, e a mim, a pensar. Até onde as pessoas podem ir conosco física e emocionalmente? Qual é o nosso espaço seguro? Quem pode avançar nesse espaço?

Às vezes precisamos reconfigurar e ajustar a nossa casa para trabalhar de uma maneira que não nos sintamos invadidos. Às vezes é preciso reconfigurar nossa vida e nossos relacionamentos, fazer novos contratos, dialogar sobre expectativas e necessidades para que tenhamos nosso espaço seguro.

É fácil? Não. Mas a vida pode ser muito mais leve. Uma vez estabelecidos, os limites serão eternos? Também não. Nós nos atualizamos todos os dias, e novos limites se fazem necessários, novos diálogos se tornam fundamentais, novos espaços físicos precisam ser reconfigurados para atender à demanda do momento.

Para que isso ocorra, é preciso ter consciência. Não nos damos conta disso sozinhos e precisamos do apoio de alguém de fora, que possa ajudar a ampliar o olhar. É sinal de saúde e força. É preciso coragem para mergulhar no universo interno e mais coragem ainda para tomar decisões diferentes das que demos conta de tomar até aqui.

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