Lab Educação 2050

Luto: das várias perdas da vida ao recomeço, com ajuda profissional e afeto

Nomear a emoção certa, buscar ajuda profissional e contar com a rede de afeto ajudam no luto.

Há algum tempo, o tema luto vem ocupando meus pensamentos. O luto pode estar associado à perda de um ente querido, mas também a qualquer processo de perda significativa na vida de uma pessoa.

É natural, nesse momento, passarmos por mudanças importantes em nossas vidas e nos sentirmos perdidos, desamparados, sem saber para onde ir, em contato com diferentes emoções que nos causam confusão e dificuldade para seguir em frente.

Lembrei-me de alguns lutos da minha vida: a perda de pessoas queridas e muito próximas que faleceram (avós, padrinho, tios, amigos), a mudança de cidade em um momento importante, a demissão, a perda de um bebê durante a gestação, a separação ou o divórcio (relacionamentos que eram referência para mim). Escrevo este texto e sinto novamente as emoções daqueles momentos, principalmente tristeza, raiva e medo.

Podemos lidar com esses momentos de diferentes maneiras e olhar para o tema por diferentes perspectivas; eis aqui apenas uma faceta.

É importante lembrar e reforçar que cada um vive a experiência do luto de maneira única. A psiquiatra suíço-americana Elisabeth Kübler-Ross propôs, a partir de seus estudos, cinco estágios do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Essas fases não são lineares; cada pessoa leva um tempo específico em cada uma delas e as vive e expressa de maneira individualizada. Para saber mais, recomendo a leitura de textos sobre o assunto e sobre a autora.

Gosto de analisar essas fases sob a perspectiva de que, diante de um evento estressor, as emoções são geradas em nosso corpo (querendo ou não, o movimento bioquímico acontece e o corpo entra em estado de proteção e combate).

Quando entramos em contato (ou não) com essas mudanças bioquímicas, buscamos nomear o que estamos sentindo e, a partir disso, nos comportamos para dar conta do que está acontecendo, dentro e fora.

Se, diante de uma situação de luto, estou efetivamente sentindo raiva, mas dou o nome de tristeza, meu comportamento será para combater ou me proteger do mundo a partir da tristeza, e, com isso, minha ação pode ser inadequada ao momento e à minha real necessidade.

Por isso, entender o que estamos sentindo pode fazer a diferença em um processo de luto.

Encontrar uma pessoa que possa nos ajudar a organizar os sentimentos, os pensamentos e toda a bagunça interna que uma perda significativa causa, encontrar um colo seguro onde possamos falar e o outro ouvir e acolher sem julgamento, ter um lugar seguro para expressar genuinamente o que estou sentindo: isso nos dará condições de entender o que está acontecendo dentro e fora, adotar comportamentos de autocuidado coerentes com o que de fato sentimos naquele momento e seguir em frente.

Podemos fazer isso de duas maneiras (combiná-las, do meu ponto de vista, é o melhor cenário): a primeira é buscar ajuda profissional, uma pessoa que entenda do assunto (psicoterapeuta, médico, entre outros) e possa trazer recursos importantes para dar conta desse momento. A segunda é nos rodear das pessoas que amamos, nos permitir ser cuidados e acolhidos por elas, ter por perto aquela rede de apoio que transborda amor.

Encerro este texto com uma frase de um psicoterapeuta que admiro muito, Richard Erskine (2014): “a resolução do luto [...] envolve restaurar a capacidade do indivíduo para o pleno contato interno e interpessoal, ou seja, a capacidade de dizer um autêntico olá antes de dizer um genuíno adeus”.

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