








Vamos gravar um filme na Síria? A proposta do Vinícius, num café de Curitiba, no auge da guerra, quando a gente mal se conhecia, foi um susto. Aquela viagem não saiu, mas a parceria sim. E até hoje ele nunca deixou de me surpreender.
Vinícius é a inquietude em pessoa. Não sossega até obter o máximo de qualidade técnica e atualização em tudo o que faz. E faz muitas coisas. Com uma versatilidade rara, vai do texto à fotografia, do jornalismo diário ao filme, da rede social à pesquisa acadêmica. Tudo isso sem se acomodar ao conforto dos padrões disponíveis. Onde estiver, ele vai buscar um caminho original.
A competência e a criatividade vêm acompanhadas de algo ainda mais valioso: a atenção, a paciência e a generosidade com as pessoas. Trabalhar com o Vinícius é uma prazer porque sempre envolve entusiasmo, conversa, senso de humor e afeto. E é assim que nascem as melhores ideias e as melhores amizades.

Eu conheci o Vinícius em um CV impresso. Em seu alinhamento de palavras, despertou minha curiosidade. Um refúgio de letras vindo de um universo que só ele sabe inventar. Eles traz um amor a prova de ódios. Nem tudo se entende num Vinícius desses — um ser que conta verdades que eu não entendo (sempre), mas que consegue tornar reais. Um Vinícius desses cria um bem para uma humanidade que sofre e que precisa saber o quão o nada pode ser tudo. O pleno do Vinícius preenche uma folha de papel ainda vazia. Ele dá espaços e liberdade para os loucos — todos — sem julgar porque faltaram pedaços de si quebrados por aí. Ele conserta as imaginações mais mais confusas. É isso — Vinícius é um consertador de imaginações ainda por nascerem. Ele — eis — um iluminador de folhas em branco. E é assim, numa folha de papel que eu trago meu depoimento, sem mais, nem menos, sem tradução.