Lab Educação 2050

Autoexigência: por que reconhecer as próprias conquistas protege das cobranças

Registrar conquistas e forças todos os dias ajuda a acolher a voz interna que diz que nunca basta.

Hoje, escolhi compartilhar com vocês algo que faz parte da minha batalha diária comigo mesma. Você já se viu se cobrando por ações e resultados inatingíveis? Ou por entregas excepcionais atreladas a capacidades que talvez não sejam o seu ponto forte? Já se viu fazendo coisas e depois refletindo que aquele ato estava tão desconectado de você mesmo? É sobre isso...

É sobre os pedaços de nós mesmos que deixamos de lado para caber na realidade do outro... É sobre os momentos em que não conseguimos nos encontrar, entender o que nos deixa felizes, o que nos faz conectar com as nossas próprias forças e com o melhor de nós.

Falas externas às vezes ressoam com a percepção que temos de nós mesmos de que seremos amados ou aceitos no ambiente se formos bons o suficiente. A grande questão é: o que é ser bom o suficiente? Pois o suficiente para mim pode ser diferente do que é suficiente para o outro.

Ao entrar em contato com isso, recordo algumas falas comuns que ouvimos desde a infância até a idade adulta, nos diferentes ambientes: “não fez mais que a obrigação”, “você é pago(a) para isso”, “você devia ter tirado 10, só estuda”, “atingimos 90% do resultado e deveríamos ter chegado a 100%”, “você precisa desenvolver suas fraquezas e seus gaps”... e por aí vai. São palavras de um adulto bem-intencionado, com potencial de estrago. Se o foco está na falta, na fraqueza, no insucesso, certamente não atingiremos o resultado esperado.

É impossível sermos bons e perfeitos em todas as ciências da vida; agradar a todas as pessoas ao nosso redor é uma tarefa interminável, que pode nos levar à exaustão e à desconexão conosco. Não merecemos nos quebrar, deixar de lado a nossa essência e as nossas forças para caber no mundo de expectativas do outro.

Quando acolhemos a nossa humanidade, nos conectamos com aquilo em que somos bons, reconhecemos as pequenas e grandes conquistas e identificamos qual é o nosso lugar de sucesso e o que nos fortalece, temos condições de lidar com essas vozes internas (e externas) que dizem que “não está bom o suficiente”.

Pensando nisso, gostaria de convidar você a um desafio: registrar diariamente, da maneira que ajude você a lembrar, todas as coisas boas que faz, as pequenas e grandes conquistas, aquilo em que é bom, os aspectos da vida em que as pessoas procuram você para apoiar ou opinar, os desafios que você deu conta de superar, os seus propósitos e sonhos.

Pensar nesses aspectos nos ajuda a fortalecer a conexão conosco, a saber onde somos bons e o que nos mobiliza. Quanto mais fortalecemos a visão de nós mesmos em nosso diálogo interno, menos as falas das outras pessoas nos desestruturarão, e poderemos concretizar em nós a certeza de que estamos fazendo um bom trabalho para dar conta de todo e qualquer desafio diário a que somos expostos.

Convido você a caminhar comigo neste desafio de reconhecer diariamente as nossas forças e as forças das pessoas que estão próximas. Esse movimento pode fazer a diferença na nossa vida e nas nossas relações. Em vez de nos relacionarmos pela falta ou pela insuficiência, mudamos o foco para o que demos conta e para o próximo passo, a fim de seguirmos conquistando a melhor versão de nós mesmos. Vamos juntos?

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