Mudar de emprego resolve? Por que os padrões da infância nos acompanham
Padrões de relação aprendidos na infância nos acompanham ao novo emprego; a mudança é interna.
No último texto, iniciei uma sequência de análises sobre as possibilidades existentes diante da insatisfação no trabalho. Hoje sigo com essas análises e vamos olhar a situação sob a perspectiva da decisão de sair ou permanecer no ambiente atual de trabalho. Sugiro que você leia a última publicação, caso ainda não o tenha feito.
Aprendemos a nos relacionar com outras pessoas cedo, na nossa primeira escola da vida, a família, e seguimos atualizando esse aprendizado em todos os demais relacionamentos que vivemos ao longo da jornada. Esse aprendizado é potente por diversas razões; destaco duas: (1) o cérebro da criança tem poucas informações armazenadas e potencial para absorver muito mais experiências que o cérebro de um adulto; (2) a criança depende diretamente do cuidado de outras pessoas para sua sobrevivência e para o atendimento de suas necessidades biopsicossociais, de modo que as experiências, por si sós, têm uma carga emocional potente.
Esses padrões de relacionamento aprendidos e incorporados, ou seja, a maneira como as decisões são tomadas, os conflitos são manejados, os problemas são resolvidos e as necessidades são expressas, são repetidos nos diversos relacionamentos das pessoas.
Buscamos interagir, de maneira não consciente, com pessoas que nos ajudarão a manter o ambiente e o relacionamento conhecidos e seguros, ou seja, a repetir os padrões aprendidos. Por pior que esse padrão pareça ser, ele nos dá senso de segurança, pois as pessoas navegam por algo previsível, que ajuda a manter a homeostase física e emocional.
Quando entramos na escola, seguimos aprimorando esses comportamentos, a visão de nós mesmos e a visão de mundo; comparamo-nos aos amigos e colegas, fortalecemos o nosso modo ou fazemos as atualizações necessárias. Na idade adulta, esses padrões já estão bem definidos, treinados, confirmados ou atualizados, e é com eles que chegamos para trabalhar na empresa.
Às vezes, podemos pensar que, ao mudar de trabalho, todos os problemas e dificuldades ficarão para trás e teremos uma vida nova, completamente diferente. Porém, independentemente do ambiente onde estamos, os padrões são nossos; se temos determinada dificuldade em um local, essas questões seguirão nos acompanhando aonde quer que vamos.
Tomar consciência das nossas dificuldades relacionais, do nosso padrão de relacionamento, pode ser fundamental na tomada de decisão sobre o que fazer com tudo isso; porém, não podemos esperar um milagre na troca de trabalho. A mudança pode e precisa começar dentro de nós mesmos, encontrando possibilidades alternativas para que os relacionamentos se tornem mais saudáveis.
Atualizar nossa maneira de nos relacionar, de tomar decisões, de manejar conflitos e de nos comunicar é a virada de chave necessária para trabalharmos em um ambiente bacana, que extraia o nosso melhor, para que possamos estabelecer limites saudáveis no convívio e dedicar tempo à profissão que escolhemos e à qual nos dedicamos com tanto afinco.












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