Modus operandi: mudar hábitos sem culpa melhora a vida pessoal e profissional
Revisar rotinas e hábitos, sem culpa, pode revelar resultados inesperados e transformar relações.
Pensando na minha jornada profissional, vejo-me, boa parte do tempo, partilhando com meus clientes decisões que os levam a experimentar novos modus operandi.
A expressão latina modus operandi, traduzida literalmente, significa “modo de operação”. Designa a maneira como determinada pessoa trabalha ou age, ou seja, suas rotinas e seus processos de realização.
Penso que um jeito de fazer, falar, sentir, decidir e relacionar-se pode alterar resultados ou, no mínimo, incluir um resultado escondido que agrega potência à vida.
Certo é que chegamos à idade adulta com uma coletânea de registros e recursos e um modo particularíssimo de usá-los na resolução dos desafios do viver.
Muitas vezes, cada um de nós tem pouca ou nenhuma consciência dos impactos dos respectivos modus operandi, pois, tendo sido base de sobrevivência em algum momento, ele se incorpora aos múltiplos mecanismos de manutenção da vida.
Ao questionar o modus operandi, a reação mais comum é a resistência: “E a minha essência?”, “O que acontecerá se eu fizer diferente?”, “Sempre fiz assim”, “Sempre foi assim”, “Não se mexe em time que está ganhando”, “Mudar leva muito tempo (eu não tenho tempo)”...
Olhar para os resultados obtidos hoje, com distanciamento deliberado, pode resultar em uma possibilidade extraordinária: visualizar os resultados potenciais que se obteriam com outros modus operandi.
Percebo que os processos mais presentes nas prioridades de desenvolvimento se situam nos campos do fazer, do sentir, do comunicar, do relacionar-se, do decidir e do lidar com conflitos. Cada um desses reinos está estabelecido no comportamento da pessoa, com seus respectivos modus operandi. Assim, cabe examinar cada um desses fluxos, entendendo causa e consequência e os impactos na qualidade dos resultados concretos e dos resultados relacionais observados.
Após essa análise respeitosa, instala-se uma fase preciosa: pensar como fazer diferente. Conhecer o que é preciso conhecer e experimentar o que é preciso fazer acontece em tempos diferentes para cada pessoa. Passados o susto da descoberta e o medo da mudança, o experimentar dá fôlego para seguir adiante.
O tempo todo é imprescindível não colocar o velho modus operandi em um lugar de “erro” ou, pior ainda, de “culpa”. Preciso lembrar às pessoas com as quais tenho a honra de transitar pelos caminhos do desenvolvimento que precisamos honrar o que conseguimos com o que temos. E também que podemos olhar para a expansão (a partir do conhecido) como um portal de possibilidades de vida plena e consciente. O modus operandi conhecido é o ponto de largada (duplo sentido aqui: ponto de saída e, em um momento do futuro, um comportamento a ser “largado”!).
O brilho do olhar surpreso daquela pessoa que se joga na jornada é um vislumbre de uma Criança Interna, muitas vezes congelada em algum lugar do passado. A alegria de experimentar e ver acontecer modos diferentes e seus respectivos impactos produtivos alimenta a vontade de seguir fazendo. E também sustenta um modo diferente de ver a si mesmo e o outro.
Quanto mais acredita em si mesma, com autoconfiança e autoestima expandidas, mais a pessoa se lança em experimentos respeitosos. Às vezes, pequeninas modificações alteram os resultados de modo substancial, especialmente nas dimensões dos relacionamentos e da comunicação, dois dos mais complexos fenômenos da existência humana.
Essas decisões podem parecer pequenas quando vistas objetivamente, mas até os resultados tangíveis e concretos melhoram com alterações nos modos de fazer.
As figuras parentais podem experimentar incluir os filhos no mundo das pequenas decisões e responsabilidades da comunidade familiar, em vez de insistir no velho mantra “Aqui mando eu; quando você tiver a sua casa, mande você!”.
Quem lidera pode dedicar tempo de desenvolvimento às pessoas da equipe, escapando do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” e vislumbrando uma rotina de responsabilidades compartilhadas.
Quem ensina pode validar a presença de todos os alunos e construir com eles um campo dialógico no qual os conteúdos partilhados expandam todos, inclusive quem ensina.
Um amigo ou uma amiga pode chegar perto do outro, respeitando seus tempos e movimentos e, sem julgamento, estabelecer uma ponte de confiança que ambos atravessam lado a lado...
Tantas e tantas possibilidades...
“Querido modus operandi, agradeço sua companhia segura e previsível por tantos anos... Despedimo-nos aqui. Pretendo experimentar outros modos, outros tons, outros sons, outros relacionamentos. Agradeço-lhe. Você sustentou minha insegurança por tempo demais. Foi pilar conhecido da manutenção do status quo. Agradeço-lhe. Pode ser que me apegue a novos modus operandi, mas aprendi a independência. Experimentei a autonomia. Sigo bem só!”.












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